04 agosto, 2008

O Conflito Israelo-Palestiniano - Prólogo

Trabalho realizado por:
Joana Gonçalves
Milene Batista
Sofia Alves
Sofia Silva
Tiago Maurício


O presente trabalho, intitulado “O Conflito Israelo-Palestiniano: uma guerra recente numa longa história”, foi realizado no âmbito da disciplina de Estratégia e Relações de Poder e tentará reunir de forma sistemática relatos de acontecimentos, análises reflexivas e avançar com conclusões sobre os principais elementos que constituem este conflito de tão difícil interpretação. Com efeito, uma das principais dificuldades com que nos deparámos, enquanto grupo, foi o de harmonizar um conjunto muito diversificado de informações, teorias e modelos explicativos de um história por demais conhecida, e dessa miscigenação extrair uma reflexão cuidada e integrada num trabalho que se pretende holístico.

Assim sendo, procurou-se analisar os grandes elementos históricos das facções envolvidas, desde os seus fundamentos histórico-sociológicos, económicos, políticos, religiosos e conjunturais, até à forma como desembocaram numa aparente eternização de uma guerra fratricida que, numa área geográfica tão reduzida, consegue produzir eventos de tão grande envergadura. No entanto, será igualmente importante estudarmos as relações de poder que levaram à formação do Estado de Israel, causa primeira de todo o conflito, e inseri-lo num movimento mais alargado o qual designamos por descolonização. Neste sentido, a colonização britânica, como antecessora directa da governação na região, será digna de reflexão cuidada, até porque foi sob o seu mandato que resultou a declaração unilateral de independência israelita.

Como se trata de uma disciplina inserida no curricula da licenciatura de Relações Internacionais, será ainda da maior importância interpretar as principais linhas de força coincidentes na questão designada sionista e/ou israelita, e acompanhá-la ao longo de todo o desenvolvimento do conflito para o qual muitos adivinham a sua perpetuação. Ademais, sendo um conflito que moldou e continua a moldar um processo de formação de dois Estados-nação diametralmente opostos, mas incontornavelmente com alguns pontos coincidentes, importa recuarmos temporalmente até ao período em que essa concepção nacionalista brotou. Mas mais do que uma análise histórico-sociológica, os modernos avanços no conflito, nomeadamente o surgimento de organizações não-estatais a concorrerem com os seus próprios projectos, questionando quer a legitimidade do Estado israelita quer o respeito por Acordos internacionais, cada qual sugerindo as suas delimitações fronteiriças, tudo veio contribuir para um exacerbar das tensões existentes, assim como catalisar os efeitos subsequentes. Desde a crescente militarização das tropas Israelitas até ao seu programa nuclear clandestino, passando pelo financiamento soviético aos movimentos subversivos palestinianos, e mais recentemente do Irão, tudo aponta para a continuação desta lógica conflitual para o próximo quarto de século.

Como fica patente de tudo referido supra, a multiplicidade de factores convergentes e divergentes sobre um mesmo objecto de estudo, multifacetado por natureza, será a principal tónica deste trabalho, assim como será duplamente relevante a sua eficaz observância e resolução. Partindo de uma neutralidade analítica, tanto quanto desejável real, mesmo que indelevelmente distorcida por algumas opiniões pré-conceptualizadas, mais que preconceituosas, criticaremos o ethos das partes envolvidas em períodos chave que determinam de forma inexorável a evolução do conflito. Acreditando que nunca o resultado estava pré-determinado, à maneira dos construtivistas sociais, tomaremos então como prioridade o elenco de decisões e condições que, em conjunto, influíram na criação de certas situações, elas próprias motivadoras de mais decisões necessariamente sob outras condições.

Para concluir, será com estas luzes que avançaremos para o trabalho. No final avaliaremos o sucesso destes objectivos.

1 comentário:

Paulo Guerra disse...

Este blog é de fato uma preciosidade da internet!
Eu também sou estudante de relações internacionais, mas sou do Brasil, e estou adorando esse trabalho sobre o oriente médio!!
um abraço, Paulo Guerra